



FOTO 1 - Museu de Arte e Tradição de Aracajú.Notar a museografia adotada nos anos 50
FOTO 2 - Aspecto atual de uma exposição de fotografias no Sul do país
FOTO 3 - Outro aspecto da mesma mostra no Sul do país
FOTO 4 - Vista atual de outra mostra no Sul do país. Notar a moderna museografia adotada.
- Pensando o Processo de Abertura de uma Exposição -
A trajetória da montagem de uma mostra tem se tornado cada vez mais uma operação complexa, diversificada e exigente em relação a prazos, regras expográficas e museológicas, envolvendo uma gama cada vez maior de profissionais qualificados e, às vezes, em grande quantidade.
As exposições, principalmente aquelas realizadas no eixo Rio–São Paulo, por estarem em destaque na mídia e, em muitos casos, serem de médio e grande porte, têm se tornado referências no que concerne à excelência, exigindo empenho e determinação crescente de quem a elas se dedica.
O público, cada vez mais acostumado a visitar mostras de qualidade, tem se mostrado exigente. Esse fato obriga as instituições culturais a diversificar e ampliar suas exposições. No caso dos museus, que trabalham sob o prisma de um acervo só e que crescem pausadamente, têm a necessidade de permutar seus acervos com outros espaços e/ou trazer acervo do exterior, buscando sempre expor o novo.
Falemos inicialmente de mostras temporárias que têm, em média, de dois a seis meses de duração – ou seja, têm princípio, meio e fim definidos.
O cerne de toda e qualquer mostra é o tema a ser abordado e o período de realização. Depois dessa etapa vencida e aprovada, passa-se à pesquisa de campo que visa mapear onde, exatamente, se encontra o que se quer expor ou com quem está a obra. Tarefa simples às vezes, mas, muitas vezes, árdua, dependendo do tema escolhido.
Infindável é a quantidade de papéis que anteriormente são trocados pelas instituições e colecionadores ligados à exposição, só vencidos pela quantidade de e-mails, contatos telefônicos, fax, CDs recheados de imagens, cromos e do que mais a modernidade puder inventar.
Todos estes trâmites são necessários para que se saiba previamente, como será a mostra antes de sua efetiva abertura – assim evitamos surpresas desagradáveis.
Nesse momento, tudo tem de estar bem claro e exaustivamente repetido e acordado entre as partes, para que não se tenha dúvidas quanto à veracidade de um empréstimo.
Quando as cartas de pedido de obras chegarem às mãos de quem empresta, seguro, transporte adequado, direitos autorais e currículo da instituição, devem ser conhecidos e assegurados.
É pertinente citar que, muitas – várias – exposições, não são realizadas justamente pelo alto custo do seguro e do transporte especializado – que beira o absurdo. Nossas instituições passam a ser obrigadas a calcar-se nos famosos patrocínios, que quando acontecem, viabilizam atualmente, grande parte das mostras realizadas de norte a sul do país.
Lembremos que, quando falamos em transporte especializado, abordamos questões mínimas de segurança e manuseio, quando do transporte de um acervo, podendo este ter o tamanho e peso de uma caixa de rapé ou o agravante de uma escultura de mármore – pesada e, ao mesmo tempo, delicadíssima.
Quando essa etapa é vencida a exposição já está 50% resolvida, salvo os não menos importantes imprevistos. Passa-se então para a coleta em si, entram em cena os courriers – palavra importada, que significa o responsável por acompanhar a obra ou objeto ou o que se pede em empréstimo. Esse profissional só deixará de acompanhar a obra quando esta estiver no lugar em que deverá ser exposta, voltando no dia da devolução. Desnecessário citar que todas as despesas correrão por conta de quem pede emprestado; durante esse período, papéis são trocados....
O estado de conservação do acervo deve ser observado. Tarefa realizada pelo curador ou pelo responsável pela mostra. Esse detalhe é importante para que não se alegue inverdades sobre o real estado de conservação de uma peça, obrigando a instituição comodatária a pagar pelo seu restauro.
Trabalhando concomitantemente, estão as equipes de curadoria, mailing, expografia, museologia, imprensa e jurídico, profissionais imprescindíveis para calçar uma instituição e responsabilizar-se pelo sucesso do evento.
A montagem envolve tudo e todos. Reúnem-se vários profissionais que, através de um conjunto de esforços, fazem nascer uma exposição.
Quando o acervo chega ao local de exposição devem ser observados quesitos relativos ao estado de conservação das peças, temperatura ambiente, segurança e iluminação do local. Problemas com certeza acontecerão, se algum quesito desses for negligenciado. Mais papéis são trocados...
Algumas instituições confeccionam, previamente, maquetes da exposição apontando o que vai e onde; esse procedimento é importante para a visualização antecipada do conjunto, o que facilita no momento da montagem efetiva da exposição.
Trataremos agora especificamente de expografia – quesito imprescindível quando se quer apresentar algo de qualidade em local compatível e estruturado para tal. Deve-se buscar o auxílio de um arquiteto, em conjunto com um museólogo e um conservador; supervisionados pela curadoria, cada um deve, dentro de suas atribuições, cuidar do bem-estar do objeto e de quem irá vê-lo.
A expografia tem conquistado terreno dentro dos museus e espaços culturais pois, a apresentação de um conjunto de objetos chegou a um patamar de importância bem semelhante a do objeto em si, ou seja, a mostra ganha mais de 50% de seu valor quando se investe pesados recursos na forma de apresentação, congregando iluminação, mobiliário, segurança, material educativo e não se furtando de usar efeitos especiais, tudo em prol de uma mostra diferenciada das demais.
Preciosismos como o percurso a ser adotado pelo visitante, também são usados como forma de conduzi-lo para que chegue à meta desejada pela curadoria. Nos espaços menores e que dispõem de poucos recursos, é comum profissionais não-especializados, tornarem-se polivalentes.
Antes da efetiva abertura da mostra, passa-se ao acompanhamento estreito da equipe do mailing, caso esta obtenha sucesso, o vernissage será repleto de convidados, coroando a mostra de êxito.
A exposição está aberta, entra em cena a segurança, equipe que deve controlar ao máximo o conjunto de pessoas para preservar o acervo exposto. Deve-se ter em mente que, em específico, nesse dia, temos um número acentuado de pessoas, o que torna mais difícil tanto o controle realizado pela segurança humana, como por meio de circuito interno de TV.
Após a abertura da exposição segue-se período de calmaria e entra a atuação do serviço educativo, responsável pela divulgação do que está aberto ao público. A monitoria, que pertence a esse serviço torna-se tão importante quanto o que está exposto, visto que há em nosso país, uma demanda crescente de interessados em adquirir cultura. Os museus e espaços culturais antes vazios, atualmente contam com serviços educativos fortes e cada vez melhor estruturados, que refletem o avanço nesse setor.
É chegada a hora da desmontagem, quesito que deve ser considerado de grande valor para o correto fechamento do evento. Voltam as equipes de transporte, seguro, museologia, expografia e courriers para, juntos, procederem a reembalagem e devolução do acervo com os mesmos cuidados empregados anteriormente quando da montagem.
Com o encerramento, a avaliação deve constar como quesito prioritário. Este, é comumente negligenciado e suplantado pela pesquisa em relação a uma nova mostra, porém, o que deve ser dito é que na avaliação – erros e acertos são relacionados e através destes, há maior possibilidade de otimização de futuros eventos nas instituições.
Em relação a mostras de média e de longa duração o processo de montagem é bem semelhante ao acima citado – diferem-se apenas por, aberta oficialmente a exposição, mantê-la nos museus e/ou espaços culturais, por um tempo maior, fazendo uso geralmente de acervo próprio.
Atualmente, a inauguração de exposições por aqui tem se equiparado às que acontecem no restante do mundo – nossos profissionais estão antenados com o que de mais moderno vem acontecendo em outros países. Nossa busca pela melhora, nos proporcionou expor também nossos acervos fora do país, com ótimos resultados. O que reflete o justo reconhecimento de nossas instituições e de seus acervos.
O que ainda se faz necessário é que o patrocínio nunca decresça e sim cada vez mais seja seduzido pelo bem que a cultura faz à sociedade. As mostras, que são um feliz reflexo do cotidiano humano, devem continuar acontecendo e justificando a existência das instituições que as abrigam. Resta-nos como sociedade o esclarecimento para usufruí-las da melhor maneira possível.
MENINAS, UM POQUITO DE OBRAS ANÁLOGAS. bom texto! =-)