quinta-feira, 8 de maio de 2008

E por falar em museus...Novo museu em Bh.





Com o propósito de inserir Bh no circuito nacional de artes foi inaugurado no dia 29 de abril o Museu Inimá de Paula, que funcionará no prédio do antigo Clube Belo Horizonte e Cine Guarani, na confluência de Rua da Bahia com Rua Guajajaras e Avenida Álvares Cabral.
Ali pertinho daquela famosa placa “Minha vida é esta. Subir Bahia e descer Floresta.”
O prédio da década de 40 no estilo Art Deco teve os cinco andares do espaço reformados para receberem não apenas as obras de Inimá de Paula, mas peças de artistas do mundo inteiro e programação cultural.

Inimá de Paula foi o escolhido para dar nome ao novo museu porque foi um dos maiores pintores brasileiros do século passado, considerado pelos críticos o patrono das artes de Minas.
Eu confesso que nem conhecia. Apesar de também ser do século passado!!!Até o fim do ano, o objetivo é trazer para Minas Gerais uma exposição do modernista Alfredo Volpi (esse eu conheço) para inaugurar uma série de grandes exposições. Elas deverão ocupar os principais salões do prédio duas vezes por ano. O primeiro andar abriga uma filial do Café Kahlua, um dos mais tradicionais do Centro de BH. No segundo ficará uma exposição permanente de obras do artista que dá nome ao museu. Por meio de uma tela sensível ao toque instalada no meio do salão, visitantes decidirão o que desejam ver projetado em uma parede de 16 metros de largura por 4,5 metros de altura, pronta para receber imagens de quatro equipamentos de projeção. Haverá também espaço especialmente criado para auto-retratos de Inimá e outro reproduzindo o ateliê do artista. Parte do porão do edifício abriga um auditório com 151 lugares. O visitante deverá pagar ingresso para conhecer o espaço.
Enfim, um novo e ótimo espaço que além de expor quadros, fotografias, livros, documentos e objetos pessoais do artista. Também será um ambiente para eventos, seminários, cursos e workshops ligados à cultura.

Ainda não visitei o lugar, mas pretendo ainda este fim de semana.
Aproveitem. Visitem e vejam se realmente vale a pena.
Parece que sim!
Mas se tudo der certo, com certeza nos encontramos por lá.
A entrada nas primeiras semanas é gratuita com um preço pré-estabelecido pra mais tarde de R$5,00.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Miseráveis – A estética da dor



















“É tempo de acordar e sacudir o nosso país.
Algo precisa ser feito. Que este seja o começo: a conscientizarão
A conscientização de uma grande mudança.
Deixo uma pergunta:
Quão miserável és tu que não enxergas a miséria do teu povo?”

No Palácio das Artes, na sala Maristela Tristão – aquela em frente ao café – está rolando a exposição “Miseráveis – a estética da dor”. Ela mostra crianças às voltas com as misérias que assolam a infância hoje.

Tudo começa com uma placa na entrada que diz: “Silêncio. Crianças brincando.” De áudio, sons de crianças rindo e uma música assustadoramente calma de fundo.
A sala está toda escura com um foco de luz bem direcionado em cima das peças e paredes, bases e pilastras pretas.
As esculturas são de meninas grávidas e prostituídas, meninos drogados, roubando ou pedindo esmolas.
Mas logo na entrada os olhos são atraídos pela peça principal, que é uma menina nua, no centro da sala, cercada por uma roda de roupinhas infantis. Como se fossem crianças desintegradas.

É linda e chocante ao mesmo tempo!
Linda porque a montagem transforma o que poderia ser uma exposição comum num cenário meio lúdico e obscuro. E chocante porque o que se espera de uma exposição que fala sobre a infância, não é nada parecido com o que se vê.

Sem dúvida, provoca a curiosidade e convida a entrar quem passa diante da sala Maristela Tristão.
Pra mim, a mais visualmente convidativa do Palácio no momento.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Imaginarium







A Imaginarium fez essa vitirne sobre o tema "Eu amo anos 80", com muitas cores vivas, estampas e manequins planos com um figurino extremamente representativo: além das roupas extravagantes houve o cuidado da caracterização dos personagens, seus cabelos, acessórios e até uma referência à linguagem, representada num balão de diálogo.

Apesar do tema pedir um pouco de excesso, a vitrine soube equilibrar o estilo com a necessidade de exposição sem exageros. Apenas poucos acessórios são mostrados, além das roupas, que também não pesam muito porque estão compondo os personagens.

Displays no Cineplex BH Shopping











Os displays estão mais simples que os citados anteriormente. Os Reis da Rua, Fim dos Tempos e Indiana Jones são os mais simplórios, com a única diferença de dois deles não terem suporte e vão retos até o chão. Mas eles parecem mais banners ou cartazes do que displays, realmente. Têm uma espessura de aproximadamente 5cm e como são grandes, são feitos de duas partes acopladas. O que possui pedestal (Os Reis da Rua) também é bem simples, sem faca especial ou nenhum outro artifício que serviria para um propósito além de mostrar o cartaz do filme.

O do Speed Racer é de duas faces: qualquer que seja o lado visto, há imagem e um efeito ondulado, com uma curva convexa no centro. Os dois lados possuem a curva, para isso foi envergado o papelão, e na face que ficou côncava foi acoplada um outro pedaço curvado bem no centro, fazendo o efeito ondulado para fora simultaneamente nos dois lados. Mas o estabelecimento não soube aproveitar a dupla face, já que uma ficava tampada por uma pilastra.

Por último, o que tem um pouco mais de efeito: O display de "Quebrando a Banca", já citado abaixo, possui três planos e facas especiais.

Displays do Shoping Cidade







































Os displays que estavam expostos no Shoping Cidade eram muito simples e o que pudemos notar foi uma carência de displays mais elaborados.
O filme Agente 86 tinha um display muito simples com apenas uma placa de papelão dobrada com um encaixe na parte de baixo, o diferencial que este filme tinha era um móbile de papelão recortado na forma do ator principal segurando uma corda e pendurado no teto do cinema, foi à coisa mais interativa que tinha lá naquele dia.
Os filmes Batman, Narnya, e Kung Fu Panda, também eram bem simples, com apenas a placa de papelão suportada por um encaixe feito por um corte na parte de baixo.
O filme Homem de Ferro apresentava alguns encaixes feitos na armadura da imagem do personagem do filme, isso fez com que o display ficasse com volume e até com certo movimento.
O display do filme Quebrando a Banca já havia sido retirado da sala e estava escondido, mas podemos observar que os cortes feitos nas formas de cartas de baralho e a maneira que foram encaixadas fizeram com que este display fosse um dos mais interessantes que tinha lá naquele dia.
O filme A Ilha da Perdição foi o que apresentou o display mais elaborado, feito com cortes, dobras e encaixes, este display apresentou não somente a idéia de volume, mas fez também uma ambientação do filme, mostrando personagens, cenários e elementos que fazem parte da história.







domingo, 13 de abril de 2008

Exposição Amilcar de Castro na Casa Fiat







No dia 05/04 fomos a Casa Fiat de Cultura para ver a exposição do artista Mineiro Amílcar de Castro. Ao chegarmos lá eis a surpresa de que não poderíamos fotografar as peças, as imagens acima são da única peça que estava disponível para ser fotografada e que se encontrava na entrada da exposição. Já dento das galerias nos deparamos com diversas peças feitas por ele, tanto as de corte e dobra em metal como também as de corte em madeira, além dos quatro portais de mais de 4,80m de altura. Não é a toa que Amílcar é considerado um revolucionário da escultura no mundo, isso se percebe logo ao ver de perto as peças feitas por ele, é incrível a leveza que cada uma nos passa, a idéia de movimento, de articulação e tridimensionalidade em um objeto estático e que pesa mais de duas toneladas. Além da exposição na Casa Fiat, estão expostas também outras peças do artista na Praça da Liberdade e Praça do Papa.
A atenção na exposição é voltada somente para as peças, não há nada chamativo como decoração do ambiente ou outras manifestações tridimensionais. Para quem não conhece o artista é uma oportunidade de conhecer e admirar as obras feitas por ele, e para quem já conhece vale a pena visitar as exposições, pois, possui várias peças que ainda não tinham sido expostas no Brasil, além de poder analisar mais uma vez cada detalhe que o tornou um artista mundialmente conhecido.

Marcela Gonçalves - 7ºDGManhã

quinta-feira, 3 de abril de 2008

MAIS METRÔ BH





METRÔ - BH







Aí estão umas fotos do nosso querido metrô...
como vêem, não há um bom aproveitamento do espaço como os outros metrôs abaixo (fotos da Thaís), aliás, perto deles o de BH parace tão pobre, não é? Algumas companhas já foram feitas nele, como quando plotaram toda a extensão dos vagões. Também há um quadrinho acima das cadeiras na plataforma que servem de espaço para propagandas, e há também um evento cultural que ocorre toda 1º quarta do mes. Não consegui tirar fotos das plataformas pq tinha um cara olhando feio. Mas as catracas... Acho que vai ser ótimo explorar, já que são tão sem-gracinhas...
Acho que a idéia de "envelopar" as escadas vai ser difícil, pois vai brigar com o ambiente, como os professores falaram na última aula...temos que tomar cuidado com isso. Quem sabe não adaptamos a sinalização das estações para unificá-las ao projeto? Por esemplo, enquanto nosso projeto estiver exposto, adesivar todas as placas com uma id.visual de acordo com nosso projeto.

Museu da Língua Portuguesa






Meninas, este museu foi modificado de 2000 a 2006, aconteceu algo como a reforma do prédio do MAO. Só que no caso, a estação da Luz é tombada, e a mudança foi cuidadosa (era proibido mexer muito), além do que foram adicionados aspectos arquitetônicos que modificaram a estética. Houve mudanças internas porque antes o prédio abrigava pequenos escritórios, com pequenos corredores e elevadores. Para a visitação do público, a setorização foi completamente reformulada. Os caras correram o risco, pq deu a maior polêmica pq o prédio é tombado. Mas ficou lindo, e uma grande galeria foi aberta, com projeções nas paredes, e os elevadores agora carregam até 35 pessoas! O que mais interessa pra gente são estes tótens luminosos com o acervo digital e a grande galeria com projeções e imagens iluminadas na paredes.





FOTO 1 - Museu de Arte e Tradição de Aracajú.Notar a museografia adotada nos anos 50


FOTO 2 - Aspecto atual de uma exposição de fotografias no Sul do país

FOTO 3 - Outro aspecto da mesma mostra no Sul do país

FOTO 4 - Vista atual de outra mostra no Sul do país. Notar a moderna museografia adotada.


- Pensando o Processo de Abertura de uma Exposição -


A trajetória da montagem de uma mostra tem se tornado cada vez mais uma operação complexa, diversificada e exigente em relação a prazos, regras expográficas e museológicas, envolvendo uma gama cada vez maior de profissionais qualificados e, às vezes, em grande quantidade.

As exposições, principalmente aquelas realizadas no eixo Rio–São Paulo, por estarem em destaque na mídia e, em muitos casos, serem de médio e grande porte, têm se tornado referências no que concerne à excelência, exigindo empenho e determinação crescente de quem a elas se dedica.

O público, cada vez mais acostumado a visitar mostras de qualidade, tem se mostrado exigente. Esse fato obriga as instituições culturais a diversificar e ampliar suas exposições. No caso dos museus, que trabalham sob o prisma de um acervo só e que crescem pausadamente, têm a necessidade de permutar seus acervos com outros espaços e/ou trazer acervo do exterior, buscando sempre expor o novo.

Falemos inicialmente de mostras temporárias que têm, em média, de dois a seis meses de duração – ou seja, têm princípio, meio e fim definidos.

O cerne de toda e qualquer mostra é o tema a ser abordado e o período de realização. Depois dessa etapa vencida e aprovada, passa-se à pesquisa de campo que visa mapear onde, exatamente, se encontra o que se quer expor ou com quem está a obra. Tarefa simples às vezes, mas, muitas vezes, árdua, dependendo do tema escolhido.

Infindável é a quantidade de papéis que anteriormente são trocados pelas instituições e colecionadores ligados à exposição, só vencidos pela quantidade de e-mails, contatos telefônicos, fax, CDs recheados de imagens, cromos e do que mais a modernidade puder inventar.

Todos estes trâmites são necessários para que se saiba previamente, como será a mostra antes de sua efetiva abertura – assim evitamos surpresas desagradáveis.

Nesse momento, tudo tem de estar bem claro e exaustivamente repetido e acordado entre as partes, para que não se tenha dúvidas quanto à veracidade de um empréstimo.

Quando as cartas de pedido de obras chegarem às mãos de quem empresta, seguro, transporte adequado, direitos autorais e currículo da instituição, devem ser conhecidos e assegurados.

É pertinente citar que, muitas – várias – exposições, não são realizadas justamente pelo alto custo do seguro e do transporte especializado – que beira o absurdo. Nossas instituições passam a ser obrigadas a calcar-se nos famosos patrocínios, que quando acontecem, viabilizam atualmente, grande parte das mostras realizadas de norte a sul do país.

Lembremos que, quando falamos em transporte especializado, abordamos questões mínimas de segurança e manuseio, quando do transporte de um acervo, podendo este ter o tamanho e peso de uma caixa de rapé ou o agravante de uma escultura de mármore – pesada e, ao mesmo tempo, delicadíssima.

Quando essa etapa é vencida a exposição já está 50% resolvida, salvo os não menos importantes imprevistos. Passa-se então para a coleta em si, entram em cena os courriers – palavra importada, que significa o responsável por acompanhar a obra ou objeto ou o que se pede em empréstimo. Esse profissional só deixará de acompanhar a obra quando esta estiver no lugar em que deverá ser exposta, voltando no dia da devolução. Desnecessário citar que todas as despesas correrão por conta de quem pede emprestado; durante esse período, papéis são trocados....

O estado de conservação do acervo deve ser observado. Tarefa realizada pelo curador ou pelo responsável pela mostra. Esse detalhe é importante para que não se alegue inverdades sobre o real estado de conservação de uma peça, obrigando a instituição comodatária a pagar pelo seu restauro.

Trabalhando concomitantemente, estão as equipes de curadoria, mailing, expografia, museologia, imprensa e jurídico, profissionais imprescindíveis para calçar uma instituição e responsabilizar-se pelo sucesso do evento.

A montagem envolve tudo e todos. Reúnem-se vários profissionais que, através de um conjunto de esforços, fazem nascer uma exposição.

Quando o acervo chega ao local de exposição devem ser observados quesitos relativos ao estado de conservação das peças, temperatura ambiente, segurança e iluminação do local. Problemas com certeza acontecerão, se algum quesito desses for negligenciado. Mais papéis são trocados...

Algumas instituições confeccionam, previamente, maquetes da exposição apontando o que vai e onde; esse procedimento é importante para a visualização antecipada do conjunto, o que facilita no momento da montagem efetiva da exposição.

Trataremos agora especificamente de expografia – quesito imprescindível quando se quer apresentar algo de qualidade em local compatível e estruturado para tal. Deve-se buscar o auxílio de um arquiteto, em conjunto com um museólogo e um conservador; supervisionados pela curadoria, cada um deve, dentro de suas atribuições, cuidar do bem-estar do objeto e de quem irá vê-lo.

A expografia tem conquistado terreno dentro dos museus e espaços culturais pois, a apresentação de um conjunto de objetos chegou a um patamar de importância bem semelhante a do objeto em si, ou seja, a mostra ganha mais de 50% de seu valor quando se investe pesados recursos na forma de apresentação, congregando iluminação, mobiliário, segurança, material educativo e não se furtando de usar efeitos especiais, tudo em prol de uma mostra diferenciada das demais.

Preciosismos como o percurso a ser adotado pelo visitante, também são usados como forma de conduzi-lo para que chegue à meta desejada pela curadoria. Nos espaços menores e que dispõem de poucos recursos, é comum profissionais não-especializados, tornarem-se polivalentes.

Antes da efetiva abertura da mostra, passa-se ao acompanhamento estreito da equipe do mailing, caso esta obtenha sucesso, o vernissage será repleto de convidados, coroando a mostra de êxito.

A exposição está aberta, entra em cena a segurança, equipe que deve controlar ao máximo o conjunto de pessoas para preservar o acervo exposto. Deve-se ter em mente que, em específico, nesse dia, temos um número acentuado de pessoas, o que torna mais difícil tanto o controle realizado pela segurança humana, como por meio de circuito interno de TV.

Após a abertura da exposição segue-se período de calmaria e entra a atuação do serviço educativo, responsável pela divulgação do que está aberto ao público. A monitoria, que pertence a esse serviço torna-se tão importante quanto o que está exposto, visto que há em nosso país, uma demanda crescente de interessados em adquirir cultura. Os museus e espaços culturais antes vazios, atualmente contam com serviços educativos fortes e cada vez melhor estruturados, que refletem o avanço nesse setor.

É chegada a hora da desmontagem, quesito que deve ser considerado de grande valor para o correto fechamento do evento. Voltam as equipes de transporte, seguro, museologia, expografia e courriers para, juntos, procederem a reembalagem e devolução do acervo com os mesmos cuidados empregados anteriormente quando da montagem.

Com o encerramento, a avaliação deve constar como quesito prioritário. Este, é comumente negligenciado e suplantado pela pesquisa em relação a uma nova mostra, porém, o que deve ser dito é que na avaliação – erros e acertos são relacionados e através destes, há maior possibilidade de otimização de futuros eventos nas instituições.

Em relação a mostras de média e de longa duração o processo de montagem é bem semelhante ao acima citado – diferem-se apenas por, aberta oficialmente a exposição, mantê-la nos museus e/ou espaços culturais, por um tempo maior, fazendo uso geralmente de acervo próprio.

Atualmente, a inauguração de exposições por aqui tem se equiparado às que acontecem no restante do mundo – nossos profissionais estão antenados com o que de mais moderno vem acontecendo em outros países. Nossa busca pela melhora, nos proporcionou expor também nossos acervos fora do país, com ótimos resultados. O que reflete o justo reconhecimento de nossas instituições e de seus acervos.

O que ainda se faz necessário é que o patrocínio nunca decresça e sim cada vez mais seja seduzido pelo bem que a cultura faz à sociedade. As mostras, que são um feliz reflexo do cotidiano humano, devem continuar acontecendo e justificando a existência das instituições que as abrigam. Resta-nos como sociedade o esclarecimento para usufruí-las da melhor maneira possível.



MENINAS, UM POQUITO DE OBRAS ANÁLOGAS. bom texto! =-)